Cupim
Apesar de odiados pelos humanos, os cupins apreciam francamente a nossa companhia. Graças aos meios urbanos, essas criaturinhas podem viver sempre bem alimentados (madeira e livros não faltam) e consideravelmente protegidos de seus predadores naturais. Regiões tropicais e subtropicais como o Brasil são as preferidas dos cupins.
Se as traças são conhecidas por roer as bordas e as superfícies das páginas, os cupins têm uma metodologia de destruição mais enérgica: eles perfuram. Abrem túneis através da madeira ou papel mastigando o material em seu caminho. Às vezes a gente tem sorte, e descobre que o cupim era pequeno e estava de regime – o que resultou somente em um furinho estreito em um de nossos livros, indo da capa até a página 200; ainda podemos ler o conteúdo. Às vezes, no entanto, a criatura está faminta, e é enorme; sua perfuração come duas ou três letras em cada página, impossibilitando a leitura do exemplar. Outras vezes, ainda, a perda é total.
Digerir a madeira ou o papel exige dos cupins uma parceria com outras formas de vida. É o que se chama de simbiose. Algumas espécies de cupim, por exemplo, utilizam-se de protozoários para realizar a síntese da celulose; outras espécies, consideradas superiores, trazem em seus intestinos bactérias capazes de realizar a mesma síntese. Por meio desse recurso simbiôntico, eles não podem reclamar da variedade do seu cardápio: além da madeira e do papel, podem alimentar-se de alguns tecidos, couro, vegetais e outros tipos de matéria orgânica.
Como animais sociais, os cupins dividem-se em castas estéreis assim como as formigas (soldados e operários). Suas colônias são constituídas, em geral, por um casal reprodutor (rei e rainha), que se dedicam integralmente à produção de ovos, enquanto os cupins operários ocupam-se em providenciar o alimento às outras castas. Os soldados, é claro, são responsáveis pela proteção da colônia.
Apesar de tudo que se possa dizer contra eles, parece haver certa importância ecológica em sua existência. São considerados como “superdecompositores” (uma designação honorífica em termos biológicos, por incrível que pareça), pois renovam a capacidade nutritiva dos solos, e sabe-se que são auxiliares no balanço Carbono-Nitrogênio na atmosfera. Tudo graças a sua mastigação desenfreada.
Como Evitar os Cupins
Infelizmente, ninhos de cupim não desaparecem com truques caseiros. Se você tem uma infestação dessas criaturas em sua casa, o único método eficiente é o extermínio com inseticidas. Os meios de aplicação devem ser rigorosos, e exigem técnicas especiais. Por isso, o mais adequado é se chamar um especialista para realizar a dedetização. Aplicações caseiras podem ser perigosas, devido à carga altamente tóxica dos químicos, e é possível que os cupins não atingidos pelo inseticida renovem o ninho inteiro criando resistência às substâncias.
Mas há maneiras de evitar que os cupins apareçam:
- Evite a entrada dos cupins alados.
Também conhecidos como aleluias (embora sua chegada não seja nenhum milagre), os cupins alados formam revoadas durante o período reprodutivo da espécie. Assim que o sol se põe, eles alçam vôo e atiram-se em direção às lâmpadas e outras fontes de luz.
É comum vê-los às centenas rodeando as lâmpadas, em certos períodos do ano. Depois de um tempo, no entanto, todos eles desaparecem. Não se engane: estão todos por perto, rastejando. Em seu frenesi louco, eles perdem as asas e, reduzidos à condição de larva, arrastam-se para as frestas minúsculas dos móveis ou pequenas reentrâncias de objetos. Sua primeira ação e iniciar um furo em materiais como madeira, papel e tecido, e em poucas horas já se encontram totalmente introduzidos ali.
Portanto, cuidado! O uso de telas nas janelas e portas pode ser útil, mas nem sempre é viável ou desejável (esteticamente falando). Então, o melhor mesmo é manter as janelas e portas fechadas durante os períodos reprodutivos dos cupins.
- Use madeiras mais resistentes.
Caso seja possível, dê preferência a móveis de madeira nobre (como ipê, aroeira e peroba). São materiais mais resistentes às investidas dos cupins.
- Use móveis com madeira tratada.
Você pode comprar a madeira previamente impermeabilizada, ou pode tratá-la você mesmo com o produto adequado. Há três maneiras: pincelar o inseticida várias vezes sobre todas as superfícies da peça; pulverizar o inseticida sobre a peça, cuidando para que ele penetre em todas as possíveis frestas; ou imergir a peça em um tanque de inseticida. Mas atenção: tais produtos são altamente tóxicos. De preferência, use luvas e procure inalar a substância o menos possível.
- Novas aquisições.
Quando for introduzir móveis ou objetos trazidos de fora, certifique-se de que eles não estejam infestados. | 
Retrato de um cupim em serviço.

Rei e Rainha Cupim.

A Rainha Cupim e seus súditos.

Galerias cavadas pelos cupins na madeira.

Interior de um cupinzeiro.

Asas dos cupins alados: um mau sinal. |